ARCHIVES HISTORIQUES
DE LA COMMISSION
COLLECTION RELIEE DES
DOCUMENTS "COM"
COM (86) 171
Vol. 1986/0063
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C O M U N I D A D E SC 0 fl I S S À O D A S E UROP E I
C0M(8Ö 171 "final
Bruxelas, 3 april
RELAÇÔES MONETARIAS E FINANCEIRAS COM O JAPÂO
(Comunicaçio da Comissio ao Conselho)
A S
1986
COM (86)171 f inal
I . iNTKODUÇftO
O Japâo, cuja importância no comércio internacional tem aumentado, corneça
agora a desempenhar um papel de maior relevo nos domlnios monetàrio e financeiro.
Quanto ao dominio monetàrio, embora o iene seja relativamente pouco utilizado
nas trocas comerciais, a sua taxa de càmbio tornou-se uma taxa s ignif icat iva no
sistema monetàrio internacional, tanto por causa das suas consequências para o
comércio corno devido ao aumento do peso do Japâo nas transacçôes financeiras e nos
fluxos de capitais a nivel mundial. A importância do iene no sistema monetàrio
internacional irà continuar a aumentar dado que a evoluçâo da situaçâo nos merca-
dos do iene e a pressâo exercida por autoridades estrangeiras levaram as autori-
dades japonesas a urna po l i t ica declarada no sentido de aumentar a importância do
papel internacional do iene, o que està cada vez mais a ver i f icar-se devidoà
pressâo dos acontecimentos e da liberalizaçâo. No dominio financeiro, o aumento
da importância dos bancos e outras inst i tu içôes financeiras do Japâo nos mercados
internacionais têm constituido o dado mais notàvel dos ültimos anos. Assim, os
activosrexternos dos bancos japoneses sâo actualmente os maiores do mundo e as
ins t i tu içôes financeiras japonesas encontram-se entre as primeiras no mercado inter_
nacional de t i t u l o s . Além disso, o Japâo tornou-se o maior exportador individuai
de capitais e as compras e vendas de t i t u lo s efectuadas por japoneses em transac
çôes internas e internacionais tornaram-se importantes para determinar a evoluçâo
nesses mercados.
Contudo, o facto de o Japâo ter melhorado a sua posiçâo nestes domlnios
causou alguma preocupaçâo aos parceiros tradicionais do Japâo no que diz respeito
a alguns assuntos. Tem-se veri fi cado desde sempre urna certa reserva no Japâo quanto
à aceitaçâo das plenas responsabilidades decorrentes do seu crescente peso interna
cional e uma tendência para uma preocupaçâo exclusiva corn as consequências dos acon
tecimentos e situaçôes internacionais para o Japâo. Todavia, à medida que aumenta
a influência e a importância do Japâo nos domlnios monetàrio e financeiro interna
cionais , torna-se necessàrio que seja acei te uma anélise mais ampia e mais inter
nacional. Existem também preocupaçôes semelhantes às que se verificaram em relaçâo
ao desenvolvimento do Japâo corno grande parceiro cornerei al de mercadorias, ou seja,
referentes ao acesso nào equitativo aos mercados uns dos outros. Tem sido afirmado
que o Japâo està a prosseguir para o dominio dos serviços financeiros uma estraté_
già semelhante à que ut i l izou para a expansâo das exportaçôes de mercadorias; verj_
ficou-se uma expansâo substancial das actividades externas das inst i tu içôes finali
ceiras japonesas enquanto que o acesso aos mercados financeiros internos do Japâo
continua, de facto, dif icultado. Além disso, à medida que avança a internaciona-
l izaçâo do iene, os bancos japoneses encontram-se na melhor das situaçôes para negjo
ciar ienes nos mercados internacionais, dado que as inst i tu içôes financeiras estran^
gei ras só conseguem obte- um acesso limitado aos mercados do iene.
Durante os anos em que o Japâo se foi tornando um dos maiores centros finan ^
ceiros , o sistema financeiro e monetàrio internacional sofreu vârias tensòes. 0
sistema de taxas de càmbio flutuantes nâo resultou em estabilidade ou na e f icèc ia
dos ajustamentos corno seria de esperar e as taxas de càmbio mantiveram-se erràticas
e suje itas a prolongados desalinhamentos. Esta situaçâo levou a conversaçôes quanto
ao funcionamento do sistema de taxas de càmbio e à possibilidade de chegar a acordo
sobre melhoramentos a introduzir no sistema. Do mesmo modo, o problema da divida
dos PVD tem ameaçado a estabilidade do sistema financeiro internacional, em relaçâo
* ao qual se tem de proceder a um controlo e a uma avaliaçâo permanentes. Neste contexto,
o ràpido desenvolvimento da tecnologia dos mercados financeiros e a internacionali_
zaçâo dos mercados implicam problemas potenciais quanto ao controlo e à supervisâo
à medida que se desenvolve a tnterpenetraçâo dos mercados.
- 2 -
Esta situaçâo aponta para a necessidade de uma estre i ta coordenaçâo a nivel
internacional, ta l :como jâ acontece no àmbito das vérias reuniôes multi laterais e
internacionais. Contudo, no dominio das relaçôes b i la te ra is , veri f icou-se que a
Comunidade e o Japâo desenvolveram relaçôes d i la tera is com os Estados Unidos, mas
entre a Comunidade e o Japâo as relaçôes b i la tera is mantiveram-se pouco desenvolvi_
das. Tendo em conta o relevo que esta'* a ganhar o papel do Japâcv a sua moeda . e .
a influëncia e o peso das suas inst i tu içôes financeiras no sistema financeiro inte£
national, a Comunidade deveria tentar desenvolver relaçôes b i la tera is mais sól idas-
nestes dominios, nâo só para d i s c u t ir problemas b i la tera is mütuos, mas também para
aumentar a cooperaçâo e as consultas mütuas no que diz respeito às questôes mais
gérais relat ivas ao sistema monetàrio internacional.
I I . Relaçôes da Comunidade com o Japâo
As actuais relaçôes da Comunidade com o Japâo referem-se principalmente a
questôes de comércio e ao crescente desequilibrio das suas trocas comerciais. Estas
questôes têm sido discutidas duas vezes por ano durante as "Consultas de Alto Nivel",
que se efectuam periodicamente desde 1972 para discutir as questôes econômicas e
industri ai s entre o Japâo e a Comunidade. As conversaçÔes no Comité de Extensâo do
Comércio e as récentes reuniôes interministeriais entre comi.sslrios e ministros
japoneses, bem corno os contactos periódicos entre funcionérios e durante v i s i ta s
de alto n ive l , sâo complementares em relaçâo a ta is consultas. Embora a principal
preocupaçâo manifestada durante estes contactos se refira à questâo do desequil i -
brio comercial, efectuaram-se igualmente conversaçÔes de natureza mais gérai sobre
po l i t ica econòmica e questôes financeiras , principalmente quando relacionadas com a
questâo de desequilibrio comercial.
Neste contexto, a Comunidade apresentou formalmente ao Governo do Japâo um
certo nùmero de exigências relativas à questâo do acesso dos serviços financeiros
europeus ao mercado japonës. As primeiras exigências deste tipo foram apresentadas
pela Comissâo às autoridades japonesas em Dezembro de 1981 sob a forma de uma "Lista
de Exigências" que foi elaborada apds consultas aprofundadas com os Estados-membros.
A Lista de Exigências foi revista em Novembro de 1982 e em Abril de 1984 e continuou
a ser debatida com as autoridades japonesas nas consultas e reuniôes periódicas.
Em 1984, corno resultado das negociaçôes b i la tera is entre os EUA e o Japâo,
as autoridades japonesas anunciaram uma série de medidas para dar mai or re levo ao
papel internacional do Iene e que teriam igualmente o e fe i to de alterar o ladro
no quai as inst i tu içôes bancérias e financeiras estrangeiras poderiam actuar no
mercado japonês. Esta evoluçâo da situaçâo e a Clara influëncia que os EUA poderiam
exercer sobre o Japâo levaram os Estados-membros a recear que os cr i tér ios de aces
so negociados com os EUA para as suas inst i tu içôes financeiras nâo viessem a ser,
na pràtica, igualmente aplicàveis às ins t i tu içôes financeiras europeias, cuja estnj
tura di fere da das inst i tu içôes financeiras dos EUA. Consequentemente, foi i n s t i -
tuida uma série de negociaçôes financeiras d i la tera is de cada Estado-membro com o
Japâo efectuadas paralelamente às conversaçÔes entre os EUA e o Japâo. Estas nego
ciaçôes (com o Reino Unido, a Repûblica Federai da Alemanha e, recentemente,
com:a França e I t à l i a ) r e l a c i o n a r a m - s e com q u e s t ô e s
-3 -
bi la tera is especif icas com o objectivo de assegurar que a evoluçâo da situa7
çio nos mercados japoneses nâo provocasse desvantagens para as inst i tu içôes
financeiras do Estado-membro em causa. A Comissâo também iniciou negociaçôes
bi la tera is com o Japâo de àmbito mais gérai referentes às oportunidades dadas
às inst i tu içôes financeiras nos mercados europeus e japoneses e às relaçôes
entre o Japâo e a Comunidade nos dominios monetàrio e financeiro.
0 relat ivo insucesso das l i s ta s de exigências e o subséquente desen-
volvimento de negociaçôes b i la tera is Estado-membro/Japâo devem-se a urna série
de factores. Uma das razôes foi o facto de as conversaçôes relativas a servi-
ços financeiros se terem efectuado no àmbito de debates sobre problemas
mais gérais principalmente no que diz respeito a produtos transformados. Uma
segunda razâo decorre do facto de o Japâo ter sempre preferido negociar nu_
ma base de reciprocidade que, do seu ponto de v i s ta , seria mais facilmente
obtida em negociaçôes com cada um dos Estados-membros sepa radamente.
Contudo, este desenvolvimento de negociaçôes com cada um dos Estados-
-membros nâo conduz necessariamente aos melhores resultados para a Comunidade.
Enquanto cada um dos Estados-membros em negociaçôes com o Japâo tem a pers-
pectiva de obter algum acesso limitado aos mercados japoneses para as suas
in s t i tu iç ô e s , nomeadamente quando ex is te um problema reciproco de acesso dos
japoneses aos mercados desse Estado-membro, o Japâo vai conseguindo s a t i s fa -
zer na pràtica e caso a caso as exigências de cada um dos Estados-membros
sem realmente proceder a urna abertura dos seus mercados em gérai . Assim, em-
bora soluçôes caso a caso decorrentes de negociaçôes b i la tera is corno as EUA/ *
/Japâo possam teoricamente estar ao alcance de todos, na pràtica a d i fe
rente natureza das inst i tu içôes financeiras dos vàrios paises leva a que este
tipo de soluçôes apenas se aplique realmente às inst i tu içôes do pais que as
negociou. As próprias soluçôes caso a caso que tiverem uma aplicaçâo mais
gérai nâo représentant, mesmo assim, uma pressâo sobre o Japâo para que o ace£
so aos seus mercados seja semelhante âquele de que beneficiam as inst i tu içôes
japonesas nos mercados europeus. As negociaçôes efectuadas por cada um dos
Estados-membros separadamente têm enfraquecido a capacidade da Comunidade para pressionar os japo
neses no sentido de estes corresponde rem às solicitaçôes formuladas pela Comunidade e têm permitido
ao Japâo manter .a força da sua posiçâo, dado que joga com a concorrência que indubi-
tavelmente ex is te entre as inst i tu içôes financeiras dos Estados-membros nos
mercados mundiais, enfraquecendo assim a posiçio global da Comunidade.
Assim, no dominio dos serviços financeiros e do acesso aos mercados
do Iene, a Comunidade em obtido relativamente pouco êxito nas suas relaçôes
com o Japâo. Do mesmo nodo, no dominio mais vasto das relaçôes monetàrias a
Comunidade tem tido pouca influência sobre o Japâo e a po l i t ica japonesa,
especialmente se a compararmos às pressôes que as autoridades norte-ameri-
canas têm consegui do
rece cada vez mais conio urna poderosa força nos dominios monetàrio e finan
ceiro, ex is te a necessidade de desenvolver uma relaçâo de base mais ampia
entre a Comunidade e o Japâo que abranja questôes especif icas corno a do
acesso relativo das inst i tu içôes financeiras de cada urna das partes aos mer-
t cados financeiros da outra; i s to implica desenvolver relaçôes que abarquem as
* questôes mais gérais dos respectivos papéis da Comunidade e do Japâo no sistema monetàrio intemacional
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e em retarlo à evolu?ao da situa£§o financeira internacional. Toma-se igual-
mente necessàrio que a Comunidade, ao desenvolver as suas reLagdes com o
Japào nos dominios monetàrio e financeiro, fa$a sentir pienamente o seu peso
enquanto Comunidade dado que essa é a ùnica forma de obter resultados
reais .
0 facto de existirem relaçôes a n ive l comunitàrio nlo implica neces
sariamente que cada Estado-membro seja impedido de manter negocîàçôes bilate^
'rais com os japoneses sobre assuntos de interesse para ambos, mas ta i s négo
c iâmes seri ara reforçadas se se efectuassem no Subito de urna acçâo global comunitària
em relaçâo ao Japào levada a cabo com base runa est rei ta colabo raçSo entre os Estados-menbros.
I I I . Relaçôes Monetàri as
As relaçôes monetàrias entre a Comunidade e o Japâo podem ser analisa_
das em termos b i latéral s ou em termos m ult i la tera ls . 0 seu aspecto mais importan
te diz respeito as relaçôes de taxa de càmbio que exercera uma influência pri_
mordial sobre a evoluçâo das relaçôes comerciais e finance!ras.
Taxas de càmbio
Em termos b i l a t e r a i s , as relaçôes de taxa de càmbio entre a Comunida_
de e o Japâo s l o de reduzido n ive l . Ambas as partes têm tido tendência para
considerar mais importantes as respectivas relaçôes com o dólar. Assiro, por
exeroplo, o recente Acordo dos 5 Grandes de Setembro de 1985 diz respeito
às relaçôes do dólar com as outras divisas consideradas còrno um todo. Con-
tudo, esta situaçâo levou a que o valor do iene face às d iv isas comunitârias
seja apenas um valor condìcionado que resulta da evoluçâo das relaçôes das
respectivas d iv isas com o dólar. Esta situaçâo levou a uma reduçâo da i ra
po rtância das taxas de càmbio corno potenciais instrumentes de ajustamento
entre as duas àreas. Nâo exist indo uma adequada relaçâo de taxas de càmbio
entre as duas àreas, é pouco provâvel que as relaçôes comerciais da Comuni-
dad com o Japiò possam assentar numa base s a t i s fa tô r ia . Neste contexto, o
facto de as autoridades japonesas se concentrare»! quase exclusivamente nas
relaçôes entre o iene e o dólar deve ser alterado e a Comunidade deveria
tentar inf luenciar as autoridades japonesas no sentido de estas reconhe ?-
rem a importine!à das relaçôes entre o iene e as divisas da Comunidade . mo
um elemento fulcral das relaçôes b i la te ra is entre as duas àreas. As evolu7
çôes paralelas do iene e das divisas da Comunidade desde 1985, especialmente
em relaçâo .ao dólar, devem const itu ir matèria de consultas entre a Comunida
de e o Japâo.
0 sistema monetàrio internacional
Em termos m u lt i la tera is , a taxa de cambio entre o iene e o ECU tam-
béra desempenha um papel importante. 0 sistema de taxas de càmbio tem funcio-
nado de forma imperfeita; o caràcter erràtico das taxas de càmbio teve corno
consequéncia tornar o comércio e os investimentos internacionais mais d i f i -
ceis e o desajustamento das taxas de càmbio causou continuos desequilibrios
de pagamentos os quais, por sua vez, estào a ameagar os sistemas monetàrio
e de comércio internacionais . Embora a Comunidade tenha tentado evitar a l -
gumas das principais distor$5es por meio do SUE, nao conseguiuevitar a l -
sequSncias da instabil idade externa. Està é a razào pela qual a Comissào sejn
pre se bateu por uma gestao multi lateral do sistema de taxas de cambio; as
eonsequéncias das variai;oes de taxas de càmbio s io dentasiadamente vastas
quanto aos seus e fe i to s na economia para que se possa aceitar que o nivel
* 1
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da taxa de càmbio seja determinado apenas corno urn va lo r residual resultante
da evolu?ào econòmica e fin a n ce ira . Torna-se necessàrio, nào só para cada urna
das economias, mas também para o sistema monetàrio in te rna c iona l, que a ques
tao da taxa de càmbio seja totalmente incorporada nas p o lit ic a s económicas
dos p r in c ip a ls paises in d u s tr ia ls . Tendo em conta que a taxa de càmbio cons-
t i t u i também a va riàve l econòmica fundamental nas relagoes entre paises, està
deve ser objecto de conversances mùtuas ou in te rnac iona is .
Em recentes conversaijoes internacionais, as autoridades japonesas man_
tiveram-se relativamente reticentes quanto a mais evolu?6es insti tucionais no
sistema monetàrio internacional. Nào estào dispostas a apoiar zonas- alvo
ou a u t i l i z a l o da taxa de càmbio corno um indicador objectivo, nào desejam o
funcionamento de qualquer sistema automàtico de consultas e nào apoiam urna
maior publicidade ao processo de v ig i làn c ia . Todavia, corno resultado da reu-
niào dos 5 Grandes em Setembro de 1985, o Japào cooperou pienamente quanto a
um ajustamento acordado das taxas de càmbio, perante a ameaija proveniente dos
EUA de um aumento do proteccionismo. De facto , historicamente o Japào nunca
foi favoràvel a p o l i t i c a s de "laissez faire" quanto à sua taxa de càmbio e a
sua atitude p o l i t i c a tem sido sempre munto mais no sentido de urna certa ges_
tao das taxas de càmbio, mas apenas numa base unilateral e relativamente aos
seus próprios objectivos po l i t i c o s para o iene. Urna maior pràtica de consul_
tas· em bases b i laterals entre a Comunidade e o Japào poderia levar a urna me-
Ihor compreensào dos requisitos de urna melhoria de funcionamento do sistema
de taxas de càmbio flutuantes e contribuir para a e v o l u t o continuadado sis_
tema monetàrio internacional e para influenciar a evolugào nos mercados. 0
SME nào se limita a ser um acordo interno da Comunidade; é também urna parte
e urna c o n tr ib u i to para o sistema monetàrio internacional e , com a crescente
progressào do iene corno divisa internacional, as consultas entre a Comunida
de e o Japào deveriam melhorar as perspectivas de urna e v o l u t o mais ordena-
da , é jestàve l à nivel internacional.
0 iene e o ECU
No actual quadro do sistema monetàrio internacional, pode-se a f i r
mar que se exige demais do dólar.A predominància do dólar faz corn que a
p o l i t i c a interna norte-americana tenha importantes implicaçôes para o res
to -do mundo em termos de taxas de càmbio, taxas de juro e liquidez intér-
nacional. Por outro lado, as autoridades norte-americanas tèm tido d i f i -
culdades para incorporarem urna dimensào internacional adequada nas suas
p o l i t i c a s internas. A longo prazo, portanto, torna-se desejàvel conseguir
um sistema monetàrio nternacional que assente numa base mais ampia, menos
dependente do dólar com urna maior partiIha do papel de divisa internacio
nal . As autoridades estào a promover, com o apoio da Comunidade e dos EUA,
a extensào do papel internacional do iene. Também a ut i l izaçâo do ECU tem
aumentado nos merca ’os internacionais e o ECU é cada vez mais considerado o
instrumento financeiro representativo da economia da Comunidade; o papel do
ECU tornar-se-é mais importante à medida que a Comunidade for completando a
sua pròpria integraçâo financeira. Assim, urna maior integraçâo financeira
na Comunidade em paratelo com a evoluçào do mercado internacional aumentarà
a necessidade de estabilidade das taxas de càmbio na Comunidade o que, por
sua vez, reduzirà a importància de cada urna das divisas em relaçâo às rela-
ç5es externas. Assim o ECU, enquanto unidade compòsita das divisas da Co
munidade, poderà assumir maior importància corno medida das taxas de càmbio
da Comunidade e corno eixo da po l i t ica de relaçôes externas da Comunidade no
dominio monetàrio.
r
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Um sistema monetàrio internacional'que assente numa base mais ampia, com um papel de
primeiro plano para o iene e o ECU, exige urna estreita colaboraçâo com o Japâo tanto
a nivel de reuniòes bilaterais corno em termos multilaterais.
IV. Relaçôes f in a n c e i r a s
Apesar das medidas de l i b e r a t i zaçâo e de desregulamentaçâo anunciadas desde 1980, e s -
pecialmente na sequència do "R e la tó r io do Comité ad-hoc i e n e /d ó la r " de Maio de 1984, o
mercado de se rv iços f i n a n c e i ro s no Japâo continua a s e r muito regulamentado, comparti -
mentado e i so lado em termos i n t e r n a c i o n a i s . A impressionante l i s t a de dec isoes adopta -
das pe las au to r idades para desregulamentar o mercado c o n s t i t u i , mais do que um s i n a i de
urna e f e c t i v a l i b e r a l i z a ç â o , ama indicaçâo c l a r a da extensao das r e s t r i ç ô e s a que o mer
cado e s tava e ainda e s t à s u j e i t o . 0 pace te de novas medidas de a b e r tu ra do mercado p re -
v i s t a s nâo e s t à escalonado de forma su f ic ien tem ente p rogress iva nem é su f ic ien tem ente
reformador para a ssegurar a promoçâo de operaçôes v iàv e i s de i n s t i t u i ç ô e s bancàr ias e s -
t r a n g e i r a s no Japâo:
Banca
No que d iz r e s p e i t o ao s e c to r da banca, as au to r idades japonesas nâo tèm f a c i l i t a d o a
penet raçâo de bancos e s t r a n g e i r o s no seu mercado i n t e r n o , enquanto que os bancos japo-
neses actuam em larga e sc a la nos mercados ex te rnos em condiçôes re la t ivam ente simi la res
às dos ou tros bancos e consegui ram a lcança r no tàve is ê x i to s nos mercados e x te rn o s , obten-
do p a r t e s de mercado à custa de bancos o c i d e n t a i s . Um recen te r e l a t ó r i o do Banco de
Pagamentos In te rnac ionas (BPI) afirma que o Japâo conseguiu pela p r im eira vez u l t r a p a s
sa r os EUA no dominio da banca i n t e r n a c i o n a l . Em 1985 (dàdos a t é f i n a l de Setembro) as
i n s t i t u i ç ô e s japonesas forneceram mais c r é d i to s in t e r n a c io n a i s do que os bancos n o r t e -
-americanos. 0 r è t a t ó r i o do BPI mostra que cerca de 26% (640 mil miIhôes de $) de todos
os c r é d i to s i n t e r n a c io n a i s dos bancos re lac ionados com o BPI pertencem a i n s t i t u i ç ô e s
japonesas . (Os c r é d i to s dos bancos norte-americanos-580 mil miIhôes de $ - representam
23,4% do mercado. Em t e r c e i r o lugar vèm os bancos f r ancese s com 8,9%, seguidos dos b r i -
t i n i c o s com 7,4% e dos alemàes com 6,7%). No Reino Unido, por exemplo, os bancos japo-
neses controlam aproximadamente 22% dos p a s s i v o s / a c t i v o s dos bancos e , em 1984, d e t i -
nham aproximadamente 70% do mercado de Londres de t i t u l o s de taxas f l u t u a n t e s (EUA-4,6%).
Em comparaçâo a t o t a l i d a d e dos bancos e s t r a n g e i r o s no Japâo apenas detinham, na mesma
a l t u r a , 0,97% dos depós i to s e 3,10% dos c r é d i to s e d é b i t o s . Outra prova do cr cente po-
de r io in t e rn a c io n a l dos bancos japoneses é o f a c to de em 1980 apenas f i g u r a r 1 u^nco j a -
ponês e n t re os 10 pr im eiros e 13 e n t r e os 50 p r im e i ro s , enquanto que em 1985 figuram, res·
pect ivamente , 5 e 18. Nos 100 p r im e i ro s , figuram 19 bancos nor te -americanos e 26 japone
ses .
No que diz respeito ao mercado interno japonés, os bancos estrangeiros nâo tèm suficiente
capacidade concorrencial por causa do baixo custo da base de depósitos que é autorizado
aos bancos japoneses, e do caràcter reduzido das margens "over libor" e dos outros custos
que podem praticar para empréstimos. Estas vantagens especificas permitem aos bancos japo
neses consolidar os seus activos a custos substancialmente menos elevados do que os ban
cos estrangeiros. Como consequència, em termos pràticos, os bancos estrangeiros no Japâo
operam corno instituiçôes "off-éhore" e a sua presença nos mercados internos é assim cla-
ramente secundària.
*
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Para que os bancos e s t r a n g ë i ro s no Japâo possam competir com os bancos japoneses , t o rn a -
-se necessà r io a c e l e r a r de forma s i g n i f i c a t i v a as medidas de aber tu ra do mercado, espe-
ciatmente no que d iz r e s p e i to à desregulamentaçâo das taxas de ju ro ( ap l ic âv e l a a u a i s -
quer d e p ó s i to s , i s t o é, a todos os volumes e vencimentos, de forma a que o mercado, e nâo un.
preço .reguLamentado, d e t e r m i ne a s t a x a s de j u r o e ao desenvolvimento de um merca
do in te rbancà r io ( i s t o é , bancos a poderem negociar activamente uns com os outros sem
constrangimentos c o l a t e r a i s , sem r e s t r i ç ô e s quanto aos periodos e com urna gama mais vas
ta de in s t ru m e n te s ) . Também é necessà r io que os bancos e s t r a n g e i ro s sejam auto r izados
a o b te r lenes a taxa f i x a ( i s t o é , desregulamentaçâo da d i s t i n ç â o a r b i t r a ' r i a en t re mer-
cados in te rn o s a cur to e a longo prazo) e que se criem maiores f a c i l i d a d e s de redesconto
no Banco do Japâo. Os en t raves f i s c a i s , corno por exemplo o imposto na fon te sobre emprés-
timos de d iv i s a s e s t r a n g e i r a s con tra idos no e x t e r i o r , deveriam igualmente se r abo l idos .
Em termos g lo b a i s , as su p rac i t ad as medidas implicam a e x i s t ê n c i a de um mercado monetàrio
a cur to e a longo prazo desregulamentado, no quai todos os preços se relacionem com o mer
cado (com base no conceito da o f e r t a e p ro c u ra ) , no quai e x i s t a c o n c o r r è n z a quanto a t i -
pos e a taxas e no quai tenham sido abolidos quaisquer constrangimentos c o l a t e r a i s .
Por outro lado , nâo existem düvidas quanto ao fa c to de o meio bancàr io de Tóquio s e r a l
tamente compet i t ivo ; pode-se a f i rm ar que e x i s t e s o b r e a c t i vidade em termos de banca :
actualmente a procura por p a r t e do s ec to r empresar ia l é i n s u f i c i e n t e para s a t i s f a z e r os
p a r t i c i p a n t e s no mercado. Face à s i tuaçâo que se v e r i f i c a actualmente no meio empresaria l
in te rn o , os bancos sâo obr igados a dar mais importâneia a a c t iv id a d es mais e sp ec ia l izad as
e re lac ionadas com comissôes e , nes te s e c t o r , a banca europeia dispôe de considerével mar-
gem com pe t i t iva . Os bancos europeus sâo dos mais exper ien tes em sec to re s corno a gestâo
de c a r t e l ras de t i t u l o s e o financiamento de esquemas de reforma mas gozam de um acesso r e
la t ivamente reduzido ao s e c to r bancàrio da t r a n s f e r ë n c i a de va lo res à confiança (Trust
Banking). Torna-se assim necessà r io a ssegurar que as p r i n c i p a i s vantagens actualmente e -
x i s t e n t e s a favor dos bancos europeus nâo sejam d e s t r u id a s d u r a n t e o p r o c e s s o
de l i b e r a l izaçâo em curso que parece e s t a r a s e r manipulado pe las au tor idades japonesas
em b e n e f i c io dos bancos au tóc tones . Exis te o per igo r eà l de a a c tu a l vantagem competit iva
dos bancos e s t r a n g e i r o s con t inuar a d iminuir à medida que as i n s t i t u i ç ô e s f i n a n c e i r a s j a
ponesas vio implacavelmente ganhando exper iênc ia em termos de banca mundial no e x t e r i o r ;
à medida que o mercado in te rn o é l i b e r a l i z a d o e desregulamentado, processo inevitàvel mas
graduai, t a i s bancos i r l o re impor tar a nova exper iênc ia adqu i r ida no e x t e r i o r e mais urna vez
corno j à aconteceu em ou t ros s e c t o r e s , e sgo ta r a capacidade do mercado em detr imento da con
c o r r è n z a e s t r a n g e i r a .
Um dos mais importantes en traves à capacidade de actua.çâo das i n s t i t u i ç ô e s f in a n c e i r a s
e s t r a n g e i r a s no mercado japonês decorre do Art igo 65Q da le i dos T i tu lo s e da Bolsa.
Esta le i impede os bancos
no Japâo cujo c a p i t a l lhes per tença a 100%. As au tor idades começaram recentemente a
adoptar^uma i n t e r p r e t a ç â o l a t a des te Artigo , mas a sua ap l icaçâo continua s u j e i t a a urna
ava l iaçâo caso a caso. A in troduçâo da "regra dos 49,9%" nâo passa de urna medida de f a -
chada. 0 motivo pelo quai e s t e Artigo deve s e r to ta lmente r e j e i t a d ô é o fac to de os ban
cos japoneses estarem au to r izados a oferecerem toda a gama de se rv iços bancàr ios e de
t i t u l o s em Londres, por exemplo, e nou tros mercados europeus, enquanto as i n s t i t u i ç ô e s e s
t r a n g e i r a s no Japâo - muitas das quais sâo bancos a n ive l mundial - nâo beneficiam de t a l
acesso aos mercados japoneses .
f
Mercados de capi t a i s
Enquanto o ritmo de l i b e r a l i z a ç â o das taxas de ju ro tem s ido extremamente l e n to , no sec
t o r dos mercados de c a p i t a i s tem s ido poss ive l urna maior p rogressâo da l i b e r a l izaçâo.
Assim o acesso dos fornecedores de empréstimos (Samurai) aos mercados de c a p i t a i s ‘intemos '
f* '
- 8 -
tem melhorado e o mercado de obrigaçôes do 'Euroiene fo i U b e r a l i z a d o . Contudo, a tendèn-
c ia dominante no Japâo tem s ido para l i b e r a l i z a r o acesso aos mereados de longo prazo
(acçôes e obrigaçôes a Longo p ra z o ) , mas tèm-se v e r i f i c a d o poucos p rogressos no desenvol-
vimento dos mercados de cu r to prazo (apesar da recente c r iaçâo de um instrumento de f inan-
ciamento governamental a cu r to p razo , o que c o n s t i t u i um passo na d i recçâo c o r r e c t a ) .
Os mercados de cu r to prazo bem desenvolvidos sâo e s s e n c i a i s para que o iene possa assumir
um papel de maior reLevo a n iv e l i n t e r n a c i o n a l . Todavia, a na tu reza reguLamentada e ad
m i n i s t r a t i v e dos mercados japoneses faz corn que os mercados de cu r to prazo nâo existam ou,
quando exis tam, este jam pouco desenvolv idos .
A i n e x i s t è n c i a de mercados de cu r to prazo bem desenvolvidos tem c o n s t i t u id o o f a c t o r p r i n
c ip a l nos ül t imos anos para impedir que o iene assuma om papel mais importante a n iv e l in-
t e r n a c i o n a t . Os invest imentos e s t r a n g e i r o s em va lo re s expressos em i e n e s , para além das
acçôes e das obrigaçôes a longo prazo , só podem s e r cana l izados para depós i tos bancérios
regulamentados (corn excepçâo das i n s t i t u i ç ô e s monetér ias o f i c i a i s e s t r a n g e i r a s ) ou para o
mercado dos c e r t i f i c a d o s de depós i tos ou para o mercado de t i t u l o s corn acordo de r e a q u i s i -
çâo. Corno foi ind icado , nlo e x i s t e mercado in t e r b a n c â r io , grande p a r t e dos mercados sâo
contro lados e ainda nâo e x i s t e um mercado desenvolvido de T i tu lo s do Tesouro ou de t i t u l o s
comerciais l ibe lados em i e n e s . Recentemente, no àmbito do programa de l i b e r a l i z a ç â o , ; fo i
c r iado um mercado de a c e i t e s b a n cé r io s , mas t a l medida i n t e r e s s a p r inc ipa lm ente aos impor-
t adores japoneses .
Como re su l tad o da i n e x i s t ê n c i a de mercados de cu r to prazo desenvolv idos ,nâo tem e x i s t i d o
um acesso dos e s t r a n g e i r o s aos va lo res expressos em ienes corn aconsequência de a taxa de
càmbio do iene nâo t e r nunca sido um verdade iro r e f lex o da fo rça e s s e n c i a l da economia
japonesa . As i n s t i t u i ç ô e s f i n a n c e i r a s e x t e rn a s , bem corno as i n s t i t u i ç ô e s f i n a n c e i r a s e s
t r an g e i ras a opera r em Tôquio nâo têm acesso (ou e s t e é reduzido) a va lo res expressos em
ienes ou a bases de financ iamento em i e n e s , ra z io pe la quai nâo se desenvolveu um mercado
in te rn a c io n a l de ienes ou de va lo re s expressos em i e n e s . Outra consequência des ta s i t u a -
çâo, à medida que começa a expandir - s e a u t i l i z a ç â o in te rn a c io n a l do ie n e , nomeadamente
corn a l i b e r a l i z a ç â o dos mercados do Euroiene , é o f a c to de os bancos japoneses beneficiare«)
de urna vantagem s u b s ta n c ia l nos negócios corn i e n e s , dado que têm acesso a va lo re s expressos
em ie n e s .
Assim, na ausëncia de desregulamentaçâo dos mercados in te rn o s do i e n e , a extensâo da u t i
l izaçâo i n t e rn a c io n a l sera l im i tada e a que se v e r i f i c a r , r e s u l t a r à claramente em benef ic io
dos bancos japoneses .
Fluxos de c a p i t a i s
Um dos aspec tos no téve is da s i tuaçâo das contas ex te rnas do Japâo é o f a c to de o maior ex
por t ado r de c a p i t a i s do mundo s e r actualmente o Japâo. Estas sa idas de c a p i t a i s aumentam
a in f lu ê n c ia p o te n c ia l do Japâo sobre os f lùxos in t e r n a c io n a i s de c a p i t a i s . Até agora , a
maior p a r t e das sa idas de c a p i t a l tem sido cana l izada para invest im entos em c a r t e i r a s de
t i t u l o s , p r inc ipa lmente nos Estados Unidos. Estas exportaçôes consti tuent urna compensaçâo
p a r c i a l para os d e s e q u i l i b r i o s das ba lanças de t r ansacçôes c o r r e n te s que sâo especialmente
pronunciados no Japâo e nos EUA. Constituem igualmente o r e su l ta d o de d e s e q u i l i b r i o s mais
e s s e n c i a i s nas economias do Japâo e dos EUA, dado que o s u p e r av i t de poupanças em re laçâo
aos invest imentos que se v e r i f i c a no Japâo f in a n c ia d e s te modo o d é f i c e de poupanças face
aos invest imentos nos Estados Unidos. Quaisquer a l t e r a ç ô e s ne s te s f luxos podem repe rcu r -
t i r - s t e na economia mundial e na Europa. Assim, se as ap l icaçôes japonesas em c a r t e i r a s de
t i t u l o s se desviassem dos Estados Unidos p a ra , por exemplo, v a lo re s em d i v i s a s da Comuni-
dade, poderi am ser a fec tados os e q u i l i b r i o s da ac t iv id a d e econòmica e a e s t a b i l i d â d e das
taxas de câmbiôç Para além do seu impacto sobre os e q u i l i b i o r s macroeconómicos, as a l t e r a -
çôes nos f luxos de c a p i t a i s japoneses poderiam c r i a r d i f i c u ld a d e s em mercados de c a p i t a i s
de ou t ros p a i se s e c r i a r prpblemas de regulaçâo que ex ig i r iam provavelmente urna dimensâo
in te rn a c io n a l para a sua re so luçâo .
-9-
Uma das c a r a c t e r l s t i c a s fundamentais da economia japonesa é o fac to de o sec to r e x t e r
no s e r basicamente l ibe lado em d ó la re s , no que diz r e sp e i to t a n to às contas correntes
corno aos fluxos de c a p i t a l . A s i t u a ç l o e s t é a e v o lu i r lentamente e as exportaçôes j a -
ponesas e os empréstimos japoneses aos PVDs s io cada vez mais expressos em ienes ; con-
tudo para que o iene possa desempenhar um papel de maior re levo no si sterna monetàrio i n -
t e rn a e io n a l , t o rn a - s e necessà r io enco ra ja r urna maior u t i l i z a ç l o do iene no comércio e
nos fluxos de c a p i t a i s .
A natureza e a d i s t r i b u i ç l o geogréf ica consti tuem ou t ros importantes elementos dos f l u
xos de c a p i t a i s . Na s i t u a ç l o a c tu a l e x i s t e margem para que o Japlo desempenhe um papel
mais importante no financiamento dos PVDs a t rav és do aumento do a u x i l i o ao desenvolv i-
mento e das c o n t r i b u i çôes para as i n s t i t u i ç ô e s m u l t i l a t e r a i s , bem corno a t ravés de inves-
timentos di rec tos nos PVDs.
A pròpr ia Comunidade é importadora de c a p i t a i s do Jap lo , pr inc ipa lmente sob a forma de
investimentos d i r e c t o s . Todavia, os invest imentos d i r e c to s japoneses na Comunidade sus-
citam urna s é r i e de questSes re lac ionadas com os b e n e f ic io s deco r ren tes respectivamente
para os pa ise s importadores e para o Japlo (reduzido n iv e l de t r a n f e r è n c i a de t e cno log ia ,
investimentos o r ien tados para f a c i l i t a r as importaçôes japonesas , e t c . ) . Além d i s so , sub
s i s t e a questâo da rec ip roc idade do acesso - na p r è t i ca, é re la t ivam ente reduzido o inves
timento e s t r a n g e i r o no Japlo e o acesso a acçôes , p a r t i c i p a ç ô e s , aqu is içôes de f irmas,
fusôes, e t c . ( é di f l c i l , apesar de se t e r v e r i f i c a d o , a n ive l formai , uma l i b e r a l i z a ç l o .
Os invest imentos d i r e c to s no Japlo poderiam b e n e f i c i a r a Comunidade na medida em que p e r -
mitiriam à i n d ù s t r i a europe ia o acesso à tecno log ia e ao "Know-how" japoneses . Contudo, é
na tu ra i que os in v e s t id o re s e s t r a n g e i ros , princ ipa lmente as pequenas e médias empresas,
se di r i jam a bancos da mesma nacional idade para os s e rv iço s f in a n c e i ro s necessé r io s para
apoiar os inves t im en tos . Assim, os EUA e o Jap lo criaram bancos americanos e japoneses
na Comunidade que lhes oferecem toda a gama de se rv iços ban cé r io s . Tal nlo é a s i t u a ç lo
dos bancos europeus no Jap lo ; o invest imento estrangeiro no Japlo é d i f i c u l t a d o pela im-
p o s s ib i l id ad e , por p a r te das i n s t i t u i ç ô e s financeiras no Jap lo , de o fe re c e r a gama de s e r
viços n e ce s sé r i a para promover p ro je c to s de invest imento di r e c to . 0 mercado japonês t o rn a -
- s e - i a mais a t r a e n t e para invest imentos d i r e c to s se e x i s t i s s e um s e c to r de se rv iços f i
nanceiros europeus capaz de o fe re c e r urna gama completa de s e r v i ç o s . Reciprocamente, um
maior f luxo de inves t imentos d i r e c to s da Europa para o Jap lo a ju d a r i a a c r i a r um meio e
um mercado para as a c t iv id a d es de se rv iços por p a r te dos europeus; e x i s t e por tan to urna
certa interdependência e n t re a a c t iv id a d e de se rv iços f in a n c e i ro s exercida por e s t r a n g e i ro s
e o f luxo de invest imentos d i r e c to s para um dado p a i s .
V. Conclusôes
A Comunidade nlo desenvolveu s u f i cientemente as suas re laçôes com o Jap lo nos dominios
monetério e f i n a n c e i r o ; tan to i Comunidade corno o Japlo tendem a dar mais importância
às respectivas relaçôes bilaterais ' -n os Estados Uhidos, que é conpreensivel, tendo em conta a influência
exercida pelos EUA sobre a economia mondial e a predominância do dólar no sistema monetério internacional.
Contudo o'facto de as instituiçôes financeiras japonesas estarem a assumir um papel mais importante na .banca
in te rnac iona l e nos mercados de t i t u l o s e a recen te evoluçlo do Japlo corno grande expor-
tador de c a p i t a i s implicam uma maior importância do Japlo nos dominios monetério e f in an
cei ro . Além d i s s o , e s t a evoluçlo recen te poderi s e r apenas o i n i c i o de uma expanslo dos
bancos e o u t ra s i n s t i t u i ç ô e s financeiras iaooneses, com e s t e s a oferecerem ima mais vasta gama
de se rv iços financeiros , à medida que se assiste à in t e rn a c io n a l i za ç lo do iene e ao aumento
de importância do seu papel nos mercados de c a p i t a i s e de d iv i s a s e à medida que os inves-
timentos d i r e c t o s ex te rnos do Jap lo aumentam a sua i n f lu ên c ia sobre as capacidades de
- 10-
produgào e a qualidade tecnològica dos paises receptores. Torna-se necessàrio reconhecer
a dimensào dos progressos que os japoneses conseguiram obter em termos de evolugào da
sua oferta de servigos financeiros na economia internacional e a probabilidade de se
continuar a assistir a essa evolugio.
Ao mesmo tempo n§o se tem a s s i s t i d o a urna evolugào id è n t i c a quanto à capacidade da Comu-
nidade para fo rnecer serv igos f in a n c e i ro s ao Japào, para acederem a negócios re lacionados
com o iene a n iv e l in t e r n a c io n a l e a n iv e l in te rn o em Tóquio ou para i n f l u e n c i a r as
p o l l t i c a s monetària e f i n a n c e i r a do Japào, pelo menos quanto aos aspectos que afectam a
Comunidade. A Comunidade p re c i sa de desenvolver re lagòes e s t r e i t a s com o Japào nos
dominios das taxas de càmbio, da banca e dos c a p i t a i s com o o b je c t iv o , nio só de p ro teger
os in t e r e s s e s da Comunidade, mas também de melhorar a cooperagào e as consu l tas sobre os
problemas com que se confronta t a n to o Japào corno a Comunidade no contexto do sistema
monetàrio i n t e r n a c i o n a l .
A evolugào para urna mais profunda re lagao com o Japào deve a s s e n t a r em a t i t u d e s comunità-
r i a s devido a urna s è r i e de razòes . Em pr im eiro Lugar, os d i s p o s i t i v o s monetàrios própr ios
da Comunidade sao p a r t e do mais vasto s is tema monetàrio i n t e r n a c io n a l e nào meros i n s t r u -
mentos in te rnos da Comunidade; t a l f a c to j à è reconhecido pela coordenagào a n ive l comu
n i t à r i o em relag3o às conversagòes monetàrias i n t e r n a c io n a i s . A dimenslo ex te rna dos ins-
trumentos de taxas de càmbio comuni tàrios e o fu tu ro desenvolvimento do s is tema monetàrio
i n t e rn a c io n a l sào assuntos de i n t e r e s s e comum para os Estados-membros, t a l corno as relagSes
b i l a t e r a i s ex te rnas que fazem p a r t e de um quadro mais vas to da cena in t e r n a c io n a l monetà
r i a e f i n a n c e i r a .
Em segundo luga r , a posigào da Comunidade pode s e r re fo rgada , t a n to a n iv e l g e ra l corno
a um n iv e l e s p e c f f i c o , dado que o Japao, se con t inuar a negociar separadamente com cada
um dós Estados-membros, pode manter a forga das suas posigòes e con t inuar com é x i to a
penetragào nos mercados comunitàr ios ,sem se ver obrigado a proceder a urna e f e c t i v a l i
b e r a l i zagSo dos seus p rópr ios mercados.
A necessidade de re fo rg a r as posigòes da Comunidade nas suas re lagòes com o Japao nos
dominios monetàrio e f in a n c e i r o to r n a - s e mais premente à medida que se procede à l i b e -
ea l izagào dos con tro los cambiais e dos mercados de c a p i t a i s na Comunidade. A penetragào
nos mercados f i n a n c e i ro s de cada um dos Estados-membros por p a r t e de i n s t i t u i g o ; f i -
nanceiras - e s t r a n g e i r a s aumentarà a capacidade d e s t a s ù l t im as para operarem em to^os os
mercados comunitàrios . A completa l iberdade de a c t iv id a d e s de se rv igos f i n a n c e i ro s em
toda a Comunidade; acordada corno o b je c t iv o para 1992 no recen te Acordo do Luxemburgo,
t o rn a rà tanbém n e ce s sà r io o desenvolvimento de urna abordagem comunitària das re lagòes
e x te rn a s , t a l corno j à fo i reconhecido no Tratado ( a r t i g o 70Q)
Ao d e f i n i r urna abordagem comuni tària das suas re lagSes monetària s e f i n a n c e i r a s com o
JapSo, a Comunidade p re c i sa de e s t a b e l e c e r um quadro dentro do qual possam se r abran-
gidas tan to as questSes mais vas tas do dominio monetàrio corno as mais e sp e c i f i c a s do
dominio f i n a n c e i r o . Tal quadro deve i n c l u i r a d e f i n i t o dos ob jec t iv o s que a Comunida
de pre tende a lcanga r nas suas re lagSes com o JapSo e das questèes e ex igéncias e sp ec i
f i c a s que a Comunidade pre tende formular em relagSo a o p a p e l in te rn a c io n a l do JapSo e
aos d e s i q u i l i b r i o s nos serv igos f i n a n c e i ro s e n t r e a Comunidade e o JapSo. Um t a l qua
dro c o n s t i t u i r i a urna base ü t i l que ab ran g e r iaa s questöes e s p e c i f i c a s de natureza b i l a
t e r a l e n t r e cada um dos Estados-membros e o JapSo e d a r i a um "peso comunitàrio" às
negociagSes actualmente e x i s t e n t e s e n t r e cada um dos Estados-membros e o JapSo. Con
t r i b u i r i a igualmente para urna si tuagSo mais equi l ib r ad a no que d iz r e sp e i to aos s e r
vigos f i n a n c e i r o s , através da in f lu é n c ia exercida pe la Comunidade corno um todo sobre
e s ta s ques tSes .
Outro aspecto das re lagoes da Comunidade com o JapSo é a necessidade de melhorar o con-
t r o l o das evolagSes, o que impl ica um melhor in tercambio de informagSes e n t re os Estados
-membros no que d iz r e s p e i t o à evolugäo das suas re lagSes b i l a t e r a i s com o JapSo e do
papel das i n s t i t u i g ö e s f i n a n c e i r a s japonesas nos seus mercados. Tais informagSes pode-
riam se r organizadas no Smbito de consu l tas comunitàrias numa i n s t i t u ig S o comunitària jà
e x i s t e n t e corno o Comité Monetàrio. Também é n eces sà r io um melhor eon tro lo da margem de
manobra para as a c t iv id a d es europeias de serv igos f in a n c e i ro s no JapSo. A ComissSo jà
suger iu , na sua recen te comunicagSo sobre as re lagSes coro o JapSo, a criagSo de um gru-
po de observagSo para v i g i a r a evolugSo das re lagSes e n t re o JapSo e a Comunidade. Tal
grupo poderä c o n s t i t u i r um meio e f i c a z para desenvolver o d ià logo nes te dominio com os
japoneses, sobretudo com o o b je c t iv o de conseguir ob te r re su l tad o s p o s i t iv o s no que diz
r e sp e i to a urna si tuagSo de competi t iv idade mais equi l ib r a d a .
Quadro 1
JAPRO: Balança de pagamentos 1980-1985
mil miIhôes de $
1980 1981 1982 1983 1984 1985
Balança de transaçôes
correntes
Balança comercial
ExportaçSes
Importaçôes
-10.7
2.1
126.7
124.6
4.8
20.0
149.5
129.6
6.9
18.1
137.7
119.6
20.8
31.5
145.5
114.0
35.0
44.3
168.3
124.0
49.3
56.0
173.9
117.9
Serviços e transferências -12.9 -15.2 -11.2 -10.7 -9.3 -6.7
Capitals a longo prazo
Activos
Passivos
2.4
-10.8
13.1
-9.7
-22.8
13.1
-15.0
-27.4
12.4
-17.7
-32.5
14.8
-49.7
-56.8
7.1
-64.8
-82.1
17.3
Capitals a curto prazo 3.1 -1.0 -1.6 0.0 -4.3 -0.7
Erros e omissôes -3.1 0.5 4.7 2.1 3.7 3.9
Balanço global -8.4 -5.4 -5.0 5.2 -15.2 -12.3
Quadro 2
in d ice s mensais médios das taxas de câmbios
1985
Janei ro
Feverei ro
-Março
Abri l
Maio
Junho
IENE/ECU IENE/USS ECU/USÎ DM/USÎ
1 0 0 . 0 1 0 0 . 0 1 0 0 . 0 1 0 0 . 0
101.4 97.5 96.3 9 6 . 2
102.3 98.4 96.1 9 5 . 9
97.8 101.0 103.2 102.8
98.3 100.9 102.6 101.8
97.7 102.0 104.3 103.4
JuLho 95.7 105.2 110.1 108.6
Agosto 94.2 107.0 113.8 113.6
Setembro 96.1 107.5 111.9 m . 7
Outubro 99.2 118.3 119.3 119.9
Novembro 102.6 124.4 121.4 122.2
Dezembro 100.7 125.2 124.4 126.0
1986
Janeiro 99.9 126.9 126.9 129.7
Fevereiro 104.2 137.7 132.1 135.9
Março 105.9 145.0 136.9 102.8
Quadro 3
Papel de iene
Percentagem do comércio japonés expresso em ienes 19S3
Exportaçôes 3 5 . 0
Importagoes 3 . 0
Quota do iene nas réservas oficiais em divisas 1984
$ 65
DM 12
Iene 5
Activos ex te rnos dos bancos no Japâo em mil miLhôes de $ Se t. 1985
Total 116.0
dos quais em ienes 57.2
Quota do iene nos mercados de Eurodivisas Set. 1985
$ 69
DM 12
Iene 3
ECU 3
Quota do iene nas emissoes de Euro-obrigagòes 4Q t r i m e s t r e de 1985
$ 63
DM . 1 1
Iene 7
Quadro 4
Activos in t e rn a c io n a i s dos bancos por nacional idades - Set . 1985
mi i mi LhSes de $ percentagem
Japao 640 26
E.U.A 580 23
CE 822 33
Belgica 44 2
Luxemburgo 10
Dinamarca 14 1
Franga 221 9
RepCblica Federai da Alemanha 165 7
Itàlia 92 4
* Paises Baixos 67 3
Espanha 26 1
Reino Unido 183 7
Irlanda )
Grecia ) dados nào disponiveis
Portugal )
Total 2477 100
Fonte . BPI
Quadro 5
Japào: c a p i t a i s exte rnos a longo prazo - 1980--1984
mi l miIhoes
1980 1981 1982 1983 1984
Saidas
Investimento di rec to 2 . 4 4 . 9 4 . 5 3 . 6 6.0
Créditos comerciais 0.1 2 . 7 3 . 2 2.6 4 . 9
Empréstimos 2.6 5 . 1 7 . 9 8 . 4 1 1 . 9
T i tu los 3 . 8 8.8 9 . 7 1 6 . 0 3 0 . 8
Outros 1 . 4 1 . 3 2.0 1.8 3 . 2
Entradas
Investimento di rec to 0 . 3 0 . 2 0 . 4 0 . 4 -0 .0
Créditos comerciais - 0 . 0 - 0 . 0 -0 .0 +0.0 +0.0
Empréstimos - 0 .2 - 0 . 2 -0 .2 -0 .0 - 0 . 1
T i tu lo s 1 3 . 1 1 3 . 2 1 1 . 9 1 4 . 1 7 . 2
Outros -0 .0 - 0 . 1 0 . 3 0.2 0.0
Activos no e x t e r i o r
Japåo
EUA
RFA
Reino Uni do
mi l miIhoes de $
19S5 1996
1981 1982 1983 1984 est imativa previ sàb
11 25 37 74 12C '175
143 150 106 4 - 1 2 0 - 2 5 0
19 21 21 28 40 55
63 71 82 82 85 90
Quadro 6
JAPSO: Mòvimentos exte rnos de c a p i t a i s a longo prazo por Areas-1984
mil milhôes de $
u . s . E . C .
outros
OCDE PV0s OUTROS
Entradas
Investimento di rec to - 0 . 1 + 0 . 0 + 0 . 0 - 0 . 0 - 0 . 0
Créditos comerciais + 0 . 0 0 . 0 0 . 0 0 . 0 0 . 0
Empréstimos - 0 . 0 - 0 . 0 - 0 . 0 + 0 . 0 0 . 0
TituLos 0 . 7 3 . 4 2 . 5 - 0 . 8 1 . 3
Outros 0 . 0 0 . 0 0 . 0 0 . 0 0 . 0
Saidas
Investimento di rec to 3 . 1 0 . 8 0 . 2 1 . 9 o . o
Créditos comerciais 0 . 2 0 . 7 1 . 5 2 . 5 0 . 0
Empréstimos 0 . 4 1 . 6 3 . 4 4.6 1 . 9
T l tu lo s 1 1 . 3 1 0 . 9 5 . 5 0 . 6 2 . 5
Outros ƒ 0 . 4 0 . 4 0 . 0 0 . 2 2 . 2
Quadro 7
JAPAO: Auxilio O f i c i a l ao Desenvolvimento
1980 1981 1982 1983 1984
mil miLhôes de $ 3,4 3 ,2 3 *° 3-8 4 · 3
• ’% Do Produto In te rno Bruto -32 *28 ,28 *33
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